quarta-feira, 30 de março de 2011

Briga para resolver clonagem de placa de carro já dura dois anos

Tribuna de Petrópolis - 30/03/2011


Sandra mostra uma das multas que recebeu: ela conseguiu provar a clonagem da placa, mas o Detran enviou novos documentos ao responsável pelo crime

Em Petrópolis, uma mulher vive uma situação bastante confusa. Desde 2009, Sandra Lobianco luta para provar que o seu carro teve a placa clonada e, dessa forma, obter um novo emplacamento e poder ter a sua vida normalizada. Acontece que, em meados de 2010, uma nova placa foi emitida, mas acabou sendo entregue ao proprietário e autor da clonagem. Agora, Sandra espera uma resposta do Detran para conseguir a desejada placa, em mais uma tentativa. A espera começou em outubro do ano passado.
Moradora do Morin e representante comercial, Sandra necessita do carro para trabalhar, o que faz ser ainda mais urgente a resolução do seu problema. Ela comprou o carro, um Hyundai Tucson de cor preta, em julho de 2008. Em março de 2009, chegou a primeira multa por excesso de velocidade. O que causou espanto foi o fato de ter sido emitida após infração praticada na Estrada do Tindiba, no bairro Taquara, no Rio de Janeiro. Ela nunca esteve lá. Observando melhor a foto, pode notar também que o carro era de um modelo diferente e apresentava dois canos de escapamento e marca de uma concessionária carioca.
“Foram muitas multas desde então. Corri atrás dos meus direitos e depois de um tempo voltei a receber multas, mas o carro já estava com uma nova placa. Não fui comunicada de nenhuma mudança e o Detran pediu até que eu evitasse andar de automóvel, pois se o dono do carro clonado participasse de alguma ação criminosa a pena cairia sobre mim”, disse Sandra.
Sem conseguir resolver os seu problemas com o Detran, Sandra procurou o auxílio do advogado Márcio Tesch, através do Instituto Nacional de Defesa do Cidadão Consumidor (Indeccon), do qual ele é presidente. Desde outubro, o Detran prometeu resolver a questão emitindo uma terceira placa, mas até agora nada foi resolvido.  
“O que está acontecendo com com esta senhora é um absurdo. A corregedoria do Detran-RJ, não se sabe como, conseguiu legalizar o carro clonado e remeteu a placa nova para o clone, que ao procurar o Detran recebeu a informação de que a sua placa antiga, estando fora do sistema, se tornou fria. Como solução, foi dito a ela para não rodar com o carro, pois a sua placa não está mais no sistema”, esclareceu Márcio Tesch.
Como ela precisa utilizar o automóvel para trabalho, já passou por situações complicadas. Para não haver dúvidas, ela carrega os documentos que comprovam a sua situação perante o Detran. No carnaval desse ano, viajando dessa vez a passeio, foi parada por uma blitz na Linha Vermelha. Mesmo explicando o que aconteceu nos últimos dois anos, os policiais disseram que só não rebocaram o carro porque não havia nenhum guincho disponível na operação.
“O Detran arranjou uma nova placa para Sandra, mas desde outubro não houve solução para o caso. A colocação ainda não foi feita. O seu carro continua rodando com a placa fria, pois com o emplacamento repassado ao clonador, a dela saiu do sistema”, explicou Márcio Tesch.

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