domingo, 27 de fevereiro de 2011

Meio século da morte de Roberto Silveira

Tribuna de Petrópolis - 27/02/2011


Na época, Roberto Silveira era figura de destaque da política nacional. / Arquivo Sylvio de Carvalho

Há 50 anos, Petrópolis viveu uma de suas maiores tragédias. O acontecimento trágico foi um acidente aéreo que o Brasil inteiro acompanhou, de acordo com jornais e revistas da época. Uma das vítimas foi Roberto Silveira, que era uma destacada figura da política nacional, ativista do PTB e seguidor de Vargas no Estado do Rio de Janeiro. Rapidamente conseguiu avançar na política estadual e foi eleito governador em 3 de outubro de 1958, derrotando Getúlio Barbosa de Moura (PSD). O acidente de helicóptero nos jardins do Palácio Rio Negro, em 20 de fevereiro de 1961, pôs fim à carreira do jovem político.
Roberto Teixeira da Silveira nasceu em Bom Jesus de Itabapoana, em 11 de junho de 1923, formou-se pela Faculdade de Direito em Niterói e trabalhou no jornal Diário da Manhã. Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, em 1946, foi nomeado oficial de gabinete do governador fluminense Lúcio Meira. Depois, seguiu com dois mandatos consecutivos de deputado estadual. Antes de completar a segunda legislatura, integrou o governo de Amaral Peixoto e exerceu o cargo de secretário do Interior e Justiça,
Ele esteve aqui na cidade na inauguração do Liceu Municipal, em 7 de novembro de 1953, em uma solenidade que contou ainda com o deputado Celso Peçanha, que viria a ser vice-governador do próprio Roberto. No ano seguinte, Roberto Silveira conseguiu ser eleito vice-governador na chapa de Miguel Couto Filho, a quem sucederia. Conseguiu confirmar seu grande prestígio junto ao eleitorado fluminense se elegendo governador em 3 de outubro de 1958. Nessa função, desenvolveu forte ligação com a cidade, local em que veio a falecer.
No primeiro mês de governo, tendo tomado posse em 31 de janeiro de 1959, compareceu à colação de grau dos primeiros formandos em Direito da Universidade Católica de Petrópolis (UCP). A solenidade foi realizada no Teatro Mecanizado do Hotel Quitandinha, no dia 28 de fevereiro, exatamente dois anos antes da sua morte. Na ocasião, ele iniciou a sua jornada como um dos mais assíduos mandatários estaduais em Petrópolis.
Já em 1960, sua presença foi constante na cidade. Esteve no VI Congresso Nacional de Estabelecimentos Particulares de Ensino, sediado entre 4 a 9 de janeiro, e inaugurou uma exposição sobre o primeiro ano de governo, no Edifício Pio XII, em 9 de abril. A exposição continha fotos de obras por todo o estado, com mais de 300 imagens feitas por Almiro Baraúna. A exposição saiu de Niterói e veio para Petrópolis, onde ficou por 15 dias. Ganhou ainda o título de Cidadão Petropolitano em 3 de agosto e inaugurou a Estrada Silveira da Mota, entre Posse e São José do Vale do Rio Preto, em 20 de agosto.
Na temporada de verão de 1961, que coincidiu com o Carnaval daquele ano, teve agenda cheia na cidade, principalmente na chamada “terça-feira gorda”. Em 14 de fevereiro, terça de Carnaval, empreendeu uma longa jornada pelos principais clubes da cidade. Em um só dia, percorreu as mais movimentadas festas. Começou pelo Petropolitano FC e depois passou pelo Serrano FC e EC Volante (que ficava no início da Avenida XV de Novembro, atual Rua do Imperador), voltando ao Petropolitano. De acordo com a edição da Tribuna de Petrópolis de 20/02/1961, “o jovem e popular político foi entregue ao entusiasmo da massa foliona”. Talvez essa alegria de pular o carnaval junto ao governador é que tenha doído ainda mais no coração dos petropolitanos.
O estado passava por uma crise de energia elétrica em Campos e Macaé. Vale ressaltar que o antigo Estado do Rio era muito mais carente do que o Estado da Guanabara, que era formado pela cidade do Rio de Janeiro. Essa carência foi preponderante para que fosse feita a fusão na década de 1970. A crise energética era grande preocupação de Roberto Silveira, tanto que nos seus últimos dias queria saber sobre a Usina de Macabu, que seria construída para tentar sanar os problemas da região.
Além dos problemas energéticos, o Norte Fluminense havia sido acometido por uma enchente. O governador então foi convencido de ir até Pádua para ver a situação dos municípios assolados pelas cheias dos rios Pomba e Paraíba do Sul. Na manhã de 20 de fevereiro, o governador saiu do Palácio Itaboraí, então residência de verão, e foi até o Palácio Rio negro, de onde sairia o voo. Ele conseguiu da Marinha de Guerra a cessão de um helicóptero, que seria pilotado pelo capitão de corveta José Eduardo Ribeiro Braga. 
O helicóptero tentou levantar voo por duas vezes e, na segunda tentativa, acabou tocando uma das construções da Avenida Koeller, bateu em uma árvore e explodiu: Roberto Silveira ainda resistiu por oito dias/Arquivo Sylvio de Carvalho 
O governador teria ainda como companhia o jornalista Luís D’Orleans Paulistano Santana, seu assessor de imprensa, e o fotógrafo Hélcio Reginaldo dos Santos, da Agência Fluminense de Informações. Às 9h45, o aparelho levantou voo, subiu um pouco, mas logo desceu ao solo. Então, o piloto tentou alçar novo voo e a seis metros de altura inclinou-se para o lado e tocou o prédio do número 255 da Avenida Koeler. A aeronave bateu com a hélice em uma árvore e explodiu antes de tocar o solo.
A primeira pessoa a prestar socorro foi Josué Marques dos Santos, que também sofreu queimaduras ao abraçar-se ao governador para conter o fogo de suas roupas. Josué era cabo da Marinha e também salvou Luis e Hélcio. Todos tinham a roupa em chamas. Quanto ao piloto, teve que ser retirado por outras pessoas. Dos quatro passageiros, só o fotógrafo Hélcio escapou com vida da tragédia.
Levados ao Hospital Santa Teresa, foram conduzidos à mesa de cirurgia onde trabalharam médicos renomados como Ivo Pitanguy, Paulo Hervê e Pimenta Bueno. O piloto José Eduardo teve diversas hemorragias e morreu no mesmo dia. Luís Paulistano sofreu queimaduras de 3º grau no rosto e ficou com a visão seriamente comprometida. Morreu no dia 21. Roberto Silveira, no entanto, agonizou por oito dias, tendo falecido no dia 28 de fevereiro.
O corpo do ex-governador foi levado ao Palácio Amarelo, sede da Prefeitura e da Câmara Municipal, onde milhares de pessoas se ajuntaram na Praça Visconde de Mauá para ver Roberto Silveira pela última vez. De acordo com relatos da época, a multidão era tamanha que a Polícia teve dificuldades para conter os que desejavam invadir o palácio. O saguão do pavimento superior foi transformado em velório.
De acordo com o historiador Gabriel Kopke Fróes, houve, então, uma verdadeira romaria: “Velhos, moços e crianças, brancos e pretos, pobres e ricos, todos irmanados no mesmo sentimento de pesar, chegavam ao velório em extensas filas, giravam em torno da urna com tampo de vidro e retiravam-se contritos, uns chorando, outros rezando”.
Antes ainda de seguir o cortejo para Niterói, o corpo de Roberto Silveira foi transportado para a Catedral, onde D. Manuel Pedro da Cunha Cintra, bispo diocesano, rezou missa de corpo presente perante grande multidão. Às 16h30, a comitiva fúnebre saiu da Catedral, passou pelo centro da cidade e seguiu rumo à Niterói, capital do Estado do Rio de Janeiro. Segundo Jorge Roberto Silveira, filho do saudoso governador, até hoje é possível encontrar manifestações de carinho no túmulo erguido no Cemitério de Maruí.

2 comentários:

  1. Saudações! Transcrevi para meu facebook seu blog! Escrevi porque sou apartidário, e explico o porque! Cito a morte do nosso Governador Roberto da Silveira, em frente ao meu Colégio, o São José, tenho eterna gratidão pelo meu Estado do Rio de Janeiro de ter sido mantenedor de meus estudos! Abdiquei da minha Bolsa de Estudos, porque após a morte de Roberto da Silveira, Celso Peçanha deu uma penada, me mandando para Campos! Já morava no Rio desde 4 anos de idade, nunca perdi um ano, 1957/1958/1959/1960/1961/1962/ Em 1963 fui parar em Campos, fiquei como um estranho no ninho! Fui trabalhar! E tenho certeza que honrei os ensinamentos adquiridos! Rio, 25/09/2015 - Manoel José Sardinha de Mattos

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