terça-feira, 19 de julho de 2011

Falta de médicos fecha por dois dias a emergência do HAC

Tribuna de Petrópolis - 19/07/2011


Administradores do hospital dizem que setores como a maternidade estão com a taxa de ocupação acima do limite

Em mais um fim de semana, o Hospital Alcides Carneiro ficou sem médicos para atendimento de emergência na unidade. A procura pelos profissionais foi grande, e as pessoas tiveram que ser direcionadas para a UPA de Cascatinha, que ficou lotada. Além da falta de médicos, recorrente, a maternidade também está operando além de seu limite, como disse Humberto Banal (presidente do Serviço Social Autônomo Hospital Alcides Carneiro – Sehac), e a principal causa disso seria o fechamento da maternidade da Casa Providência.
“Em anúncio que publicamos na semana passada (9 e 10 de julho), na própria Tribuna de Petrópolis, nos colocamos disponíveis para receber os profissionais interessados, pediatras e clínicos. Está difícil obter a contratação de profissionais no mercado. O salário do município também está um pouco defasado em relação ao da UPA, por exemplo. Nós esperamos resolver a situação em curto ou médio prazo”, declarou o médico Humberto Banal.
Ainda de acordo com Banal, a maternidade do HAC foi a única que segurou heroicamente a demanda da Casa Providência. “A taxa de ocupação ultrapassa o limite, mas não tenho os números aqui agora. A equipe não está preparada para o excesso, mas quero deixar claro que estamos fazendo ajustes internos para acolher a todos. O HAC tem a única maternidade de alto risco da Região Serrana e ainda precisamos de mais recursos para custear a manutenção”, completou ele.
O anúncio do Sehac dizia o seguinte: “O Hospital Alcides Carneiro, integrante da Rede de Saúde da cidade, sob gestão do Serviço Social Autônomo Hospital Alcides Carneiro (Sehac), diante da dificuldade de disponibilidade de profissionais médicos, informa que está recebendo currículo de pediatras e clínicos, para atividade em regime de plantão de 24h, em caráter emergencial, até que ocorra o processo de seleção pública”. Indicava ainda um e-mail e endereço para entrega de currículo.
A Secretaria de Saúde informou que o Hospital Alcides Carneiro (HAC) é uma das sete unidades que funcionam em regime 24 horas e o maior problema é relacionado ao déficit de profissionais médicos especialistas. Diante do quadro, a secretaria abriu edital para contratação e o preenchimento de vagas por médicos e para as demais áreas de atuação nos serviços de saúde onde exista a necessidade de reposição ou alocação de um servidor.
Devido a este fator, alguns problemas dentro dos regimes de plantão são detectados. A Secretaria de Saúde ressalta ainda que promove um esforço para evitar que haja falta de médicos em algumas unidades, com o chamamento público para a contratação dos profissionais em questão. O governo municipal destaca que elevou os salários dos profissionais médicos dos PSF’s e do atendimento de urgência e emergência.
A Secretaria de Saúde atenta que o processo de reestruturação da rede pública de saúde está sendo viabilizado e ressalta que preconiza o gerenciamento responsável das verbas utilizadas para o financiamento dos serviços de saúde prestados à população. A secretaria garante que os problemas serão resolvidos de forma correta e transparente, sem atropelos, para que a reestruturação da rede seja realizada de maneira concreta e duradoura.
Amanhã, a Casa do Médico de Petrópolis, que fica na Rua Dias de Oliveira,294 – Bingen, recebe os seus associados para uma reunião, às 20h. Na pauta, está a discussão sobre o Hospital Alcides Carneiro, sobre a UPA, a decisão judicial relacionada ao ISS e a decisão sobre a retomada da greve.  O presidente do Sindicato dos Médicos, Mauro Muniz Peralta, espera uma boa participação da classe para  o debates dos importantes temas para a saúde do município.
“Vinte médicos de Petrópolis já ganharam na Justiça o direito de reembolso da cobrança indevida do ISS, que ficou sendo de 2% sobre o faturamento desde 2007. Estaremos com um advogado na reunião para tirar as dúvidas dos médicos e explicar o que precisa ser feito para entrar com a ação. Também vamos discutir a retomada da greve, já que a Prefeitura ainda não decidiu nada. E isso já faz mais de um mês”, relatou ele.
Em relação às Unidades de Pronto Atendimento – UPA, a discussão é sobre a falta de um diretor médico que seja registrado no Conselho de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, o que também acontece nos postos de saúde de Pedro do Rio e da Posse. Segundo eles, também haveria médicos trabalhando nas duas UPA’s, Centro e Cascatinha, sem estar registrados no conselho estadual.

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