terça-feira, 4 de maio de 2010

Paulo Henrique Ganso


Que o Brasil é uma fábrica de bons jogadores, todo mundo sabe. Mas são em grandes jogos, em finais particularmente, onde se forjam os craques. Tem jogadores que não conseguiram conquistar títulos expressivos, mas nem assim podemos descartar o talento dos gênios. Contudo, ao se consagrar com gols e passes em partidas decisivas é merecer um lugar no panteão das glórias de qualquer clube. Domingo foi um pouco assim.

Paulo Henrique Ganso é um jovem de grande valor e junto com os outros Meninos da Vila, dividindo atenções especialmente com Neymar, vem roubando a cena. Não tenho o poder de prever o futuro e dizer que será um craque pra entrar definitivamente nas histórias de Santos e até da Seleção Brasileira. Porém, as suas atuações em 2010 são de encher os olhos dos amantes do futebol. Se você guarda em suas lembranças as belas faltas cobradas por Zico ou os inesquecíveis dribles de Garrincha, pode reservar um espaço também para a inteligência de Ganso.

Dois são os momentos primorosos da final do Paulista. A tentativa de fazer um gol do meio de campo, ‘o gol que Pelé não fez’, foi bonitinha, mas cabeças de bagre também tentam. Eis então: a cobrança de escanteio e não aceitar a substituição.

Em primeiro lugar, a desobediência. Fato esclarecido por Dorival Júnior depois do jogo que se tratou de assumir a responsabilidade e pedir pra permanecer em campo. Não foi uma rebeldia de não aceitar a substituição e peitar o técnico, mas saber que ele era o único que podia segurar o jogo naquele momento, já que os seus companheiros titulares do ataque já haviam saído e o Santos tinha a desvantagem de contar com apenas oito jogadores. “Atitude de Homem”, definiu Dorival.

Depois, a inteligência do malandro. Ao cobrar o escanteio e sair de fininho, como se o lance não tivesse nada a ver com ele foi uma grande sacada. O jogador do Santo André correu em direção à bola e o mesmo Paulo Henrique voltou para pressionar e fazer com que o jogo, já em seu momento final se concentrasse naquela pequena faixa do campo do Pacaembu. Era tudo que o Santos queria, era tudo que torcida do Peixe queria. Genial!

Para aqueles que ainda têm dúvida do menino, abram o olho. Para os farejadores de talento basta dizer, “esse menino vai longe” e para outros “dá gosto de ver o Ganso jogar, o Zidane tupiniquim”.

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