sábado, 14 de janeiro de 2012

Pacientes em coma na sala de urgência: um deles morreu

Tribuna de Petrópolis - 13/01/2012

O pai de Márcia aguardava vaga no CTI desde domingo. Ele morreu ontem
No Hospital Municipal Dr. Nelson de Sá Earp (HMNSE), que está em reformas, alguns setores não estão em condições ideais para receber os pacientes. É assim que se encontra a sala de urgência para homens da unidade, que na tarde de ontem contava com sete pacientes, dois deles em uma espécie de CTI improvisado, pois estavam em coma. No mesmo espaço, outros faziam nebulização. Além da aglomeração, a sala havia sido invadida por água que tinha vazado de uma tubulação estourada. Familiares esperavam pela transferência dos pacientes em estado mais grave.
Luís Henrique de Almeida Rosa, 42 anos, que sofre de doenças mentais, teve uma crise convulsiva, vomitou e aspirou o próprio vômito, que encheu os pulmões de secreção e o fez entrar em coma. Ele está no local improvisado desde segunda-feira. Seu diagnóstico é de insuficiência pulmonar aguda. O que agravou sua situação é que o aparelho de oxigênio que ele utiliza está quebrado. A irmã Ângela de Almeida Marques Esteves acompanha o caso e tenta encontrar uma solução.
“A situação está muito complicada. Estamos vivendo um verdadeiro drama. Os médicos não nos passam as notícias e precisamos correr atrás para saber o verdadeiro estado do meu irmão. E ainda vemos que as condições estão longe do ideal. Entrei com um pedido na Defensoria Pública de transferência para algum CTI e espero ter logo essa resposta. Nem o CTI daqui tem vagas para todos. Minha mãe de 85 anos queria ficar aqui, mas não pude deixar. É muito triste”, desabafou Ângela.
E o caso de Luís Henrique não é o único. Márcia Regina de Souza acompanhava o pai, Antônio Montes de Souza, 66 anos, que deu entrada no HMNSE no domingo com complicações da diabete, já sabendo que teria de amputar um dedo, e acabou em um CTI improvisado. Ele esteve bem até a terça-feira, mas piorou nos últimos dois dias. Ontem, a filha recebeu a notícia de que ele havia sofrido três paradas cardíacas e uma hemorragia digestiva. Não resistiu. Ela também esperava a transferência.
Já Marli Ferreira da Cunha, se por um lado recebeu o comunicado de que seu marido havia ganhado alta, ela sabia que ele não tem condições de ir para casa. O aposentado José Cortázio, 73 anos, está internado no setor de ortopedia há dez dias. Um problema na coluna, que provoca fortes dores, foi a causa da internação. Ele esperou uma semana para que algum médico pudesse examinar a ressonância que ele fez para saber o que deveria ser feito. O médico deu alta ao paciente, mas a esposa insistiu que ele não tinha condições de ir pra casa. O caso não havia sido resolvido até a tarde de ontem.
Ângela recebeu a resposta da Defensoria Pública de que o HMNSE teria até às 19h30 de ontem para conseguir a vaga. Caso não cumprisse a determinação, a Defensoria Pública tomaria as medidas cabíveis hoje. A secretaria de Saúde informou que, às 17h de ontem, foi liberada uma vaga na UTI da Casa Providência para o senhor Antônio Montes de Souza, mas, infelizmente, o paciente faleceu antes de ser transferido.
A secretaria ressalta que foram realizados pela equipe médica todos os procedimentos para estabilizar seu estado de saúde e que Antônio Montes foi acompanhado pela Central Reguladora de Vagas do Município. A secretaria destaca que, para suprir a carência de leitos na rede pública, tem como prática a contratação de leitos em hospitais particulares para atender à demanda, desde que os mesmos estejam disponíveis.
O paciente faleceu com complicações de uma diabetes descompensada. Em relação ao paciente Luis Henrique, sua transferência para a UTI da Casa Providência seria realizada ainda ontem. Já em relação a José Cortázio, a Secretaria de Saúde informou que o paciente foi diagnosticado com hérnia de disco após ser submetido a diversos exames. Ele foi medicado e recebeu alta, sendo encaminhado para consulta ambulatorial com neurocirurgião.

Nenhum comentário:

Postar um comentário